terça-feira, 19 de abril de 2011

Ela já correu descalça, ela já abriu a boca pra tomar água de chuva, já pulou cerca pra roubar laranja, já afundou o pé na lama. Ela já dormiu feliz apertadinha em colchão de solteiro, já dormiu como estrela em cama de casal, já brincou de guerreira guando menina, beijou escondido, chorou de boca aberta na frente de todo mundo, já fez xixi na calça de tanto rir. Ela foi criança quando tinha que ser mulher, já ralou o joelho em tombo de bicicleta, ficou de boca aberta quando descobriu a lua. Um dia ela decidiu ser sozinha, não deixaram...me contaram que ela já molhou o travesseiro de tanto chorar, e que guarda seus sonhos dentro desse mesmo travesseiro, ela é fada e bruxa, ela já quis parar..também não deixaram...Ela já teve estrelas nos olhos, borboletas no estomago, já jurou que nunca. Ela aprendeu com a mãe que mentira tem perna curta, quando suas pernas ainda eram muito curtas. Ela já foi quando queria ficar.

Hoje ela me contou, que se veste de menina, pra que tudo fique mais colorido, e que mesmo quando esta tudo preto e branco, amarelo é a sua cor.
Disse também, que precisou fazer tudo isso, sem saber o que estava fazendo pra saber quem ela é hoje, e jura que amanha ainda será diferente, por que continua fazendo coisas sem saber.

Ela, essa pessoa, mais perto de ser gente, já sabe o que não quer, já sabe o que tem..tem gratidão no coração, tem medo, tem coragem mesmo sem saber o que isso, tem olhos atentos, tem coração ancioso, tem a alma lotada de amores, tem pedaços de ex amores. Tem feridas escondidas, e em alguns momentos permite que alguém as cutuque, ela acredita que isso a torna grande...Ela conhece seu caráter, talvez como ninguém saiba se conhecer, e por isso acredita nas suas verdades.

Eu vi, que naquele cantinho, onde ela se esconde dela mesmo, pra fortalecer suas asas, tem raios de luz, tem flores, tem pedacinhos de desespero, mas tem toda a verdade dela... ela não impede que alguém encoste no seu cantinho, basta querer, querer de verdade e quando alguém quer sair, ela também não se importa de brincar com seus pedacinhos de desespero.

E agora, o que eu vou contar, não foi ela nem ninguém que me falou, eu vi nos olhos dela, estavam entre abertos, mas nem assim conseguiu esconder, que em nenhum desses momentos, nem no mais solitário ela esteve sozinha.

Que os olhos são janela da alma ela já tinha me contado... E o que eu tenho pra contar, é que ela, sou eu.

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